
Lembro-me quando era criança, tinha sempre um que vinha por Trás e dava aquele mata leão só pra começar o dia. Ai tinha que pedir o pinico. "Pedi Pinico mané!!" Eu sofria, me debatia até que pedia o pinico. Era péssimo, sempre pedia e nunca conseguia fazer com que os outros pedissem. Ou eu tinha pena do cara em que eu estava aplicando o meu golpe, ou eu tinha medo de repente morrer com falta de ar. Eu tinha um colega que gostava de apanhar, por isso nunca pedia pinico, só o soltavam quando ele estava desmaiado. Nessa época todos apanhavam e batiam muito nos colegas. Cansei logo daquilo, ficar sofrendo de dor por aquela besteira a cada meia hora era um saco. Tinha uns que adoravam como é o exemplo desse amigo sadomazoquista, outros aplicavam os ensinamentos de Judo ou Jiujistu e ficavam durante meia hora se agarrando no chão do colégio, e era uma alegria quando saia um vencedor.
Eu aprendi logo a pedir pinico antes de apanhar, o cara chegava com o braço no pescoço e antes de apertar eu já dizia "Pinico!" o cara soltava, "Manézão!". Pedia pinico só de me olharem esquizito, tranquilo, ninguém me batia nem eu precisava de sadomizar os outros. Percebi que era muito mas feliz assim, e pedi pinico a minha infância inteira e minha adolescência, e quando cheguei na idade adulta também, pedi pinico no vestibular e comprei meu diploma então, comecei a trabalhar, mas tinha muita concorrência, intrigas e brigas, pedi pinico , não apareci mais no trabalho nem dei satisfações. O pinico veio pra tudo, caguei geral e voltei a morar na casa da minha mãe e hoje desenvolvo o método "Pinico Solutions" em 12 passos para alcançar a tranquilidade, sem trabalhar e sem sentir culpa. Pra que se esforçar se no final, tudo vira merda...
Desenvolvendo a continuação do outro conto e criando um novo...
Fabio Brasil